Esse tipo de café é produzido em menor escala, mas tem uma qualidade excepcional

O Brasil não é apenas um dos maiores produtores de café no mundo, ele é também um dos maiores consumidores. E isso não é à toa, já que estimativas apontam para a presença da bebida em 80% dos lares brasileiros.

Também chamado de “ouro negro”, o café pode ser classificado nas categorias tradicional, superior, gourmet e especial. É nesta última que estão os grãos vendidos em microlotes, em razão das suas características singulares — que abarcam desde o cultivo do café até a forma como ele será torrado.

Se você é um bom apreciador de café e deseja conhecer mais sobre os microlotes, sem sombra de dúvidas, você veio ao lugar certo. Vamos explicar o que são, a forma como eles são produzidos e as razões que fazem os microlotes de café serem excepcionais.

Uma breve história do consumo do café

O café é uma bebida consumida no mundo há mais tempo do que se pode imaginar. Estudiosos apontam a sua presença em regiões do norte da África na Antiguidade, sendo a Etiópia apontada como o país de origem. Em se tratando de consumo, porém, a história acaba sendo bem mais recente, sendo dividida em três ondas.

A primeira delas, entre as décadas de 1930 e 1960, tem como característica a expansão do consumo do café após a Segunda Guerra Mundial. A preocupação, nesse momento, era maior produtividade e baixo custo. De 1960 até 1990 entram em cena os cafés especiais, de alta qualidade, mas padronizados com torra escura.

A terceira onda foi iniciada na década de 1990 e perdura até hoje, quando o café passa a ser apreciado de acordo com a sua qualidade e sua origem — assim como acontece com os melhores vinhos. É nesse período que surgem os chamados microlotes de café.

Microlote de café — o que é?

Como o próprio nome já sugere, um microlote é uma porção pequena de um determinado tipo de café especial, diferenciado em razão do seu perfil sensorial e de suas características únicas.

Eles surgiram no momento em que produtores de cafés especiais perceberam a existência de grãos que tinham particularidades bastante atraentes e distintas dos demais em algumas regiões onde eram plantados. Isso era percebido, por exemplo, em razão da alta concentração de açúcares e da elevada taxa de maturação.

Existem critérios para que o café seja enquadrado na categoria de microlote, como pureza e uniformidade dos grãos. Isso sem falar na análise sensorial, que considera a  metodologia da Associação Americana de Cafés Especiais (SCAA, sigla em inglês). Ela leva em conta padrões de acidez, doçura, limpeza e corpo da bebida.

A partir disso, é feita uma avaliação na qual o café deverá ser pontuado segundo o peso de cada um dos padrões já mencionados. 

Características dos microlotes

O alto valor de compra e venda dos microlotes se deve à sua produção reduzida em comparação com outros grãos. Os lotes têm, no máximo, 15 sacas, elevando, assim, o preço final do produto. Pode-se dizer, então, que a lógica é a mesma do vinho: uma maior qualidade implica em uma menor quantidade.

Há ainda três parâmetros que servem para diferenciar esse tipo de produção: qualidade, rastreabilidade e distinção. A qualidade refere-se àquilo que já foi mencionado acerca da análise sensorial, pureza e uniformidade dos grãos. 

Por sua vez, a rastreabilidade diz respeito à origem do café, sendo que as informações devem ser acessíveis ao consumidor. Já a distinção tem a ver com as características únicas daquele café, diferenciando-o dos demais.

Vale lembrar que, muito mais que simplesmente comercializar, a venda de microlotes de café tem como objetivo proporcionar novas experiências e sensações ao consumidor final e, consequentemente, valorizar o empenho daqueles que são responsáveis pela sua produção.

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